segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

desespero

Eu sumi faz tempo
meu corpo se desfaz no vento
estou em completo lamurio
morto e podre por dentro
e fora só existe tortura,
não sou bom pra você
nem nunca fui pra ninguém,
Sou um inferno em pessoa
que arrasta tudo pro fogo
do desespero e do desdem.
E ai não sobra nada
além das mentiras que contei
pra me agarrar em delírios
que criei em você.
Desculpe meu bem,
sou agora só o resto do pó
de uma noite triste e sem gosto.

sábado, 26 de agosto de 2017

Eu e o Diabo

Estava no inferno, literalmente, na minha frente sentava um homem, elegante, vestido inteiro de preto e com um sapato vermelho, usava um terno bonito, de alguma maneira eu sabia que era o Diabo em pessoa, finalmente havia acabado a existência na terra, ele me olhava com aura sinistra e um sorriso de canto de boca, falou que ganhei um julgamento especial, falo que eu tinha uma chance de me desculpar. Me desculpar por que? Pelas injustiças do mundo que devem prover dá mal capacidade administrativa de Deus? Pelos erros que cometi e passei a vida inteira remoendo nos sonhos mórbidos. Pelos amores que enterrei por não saber de nada direito? Pela miséria logo ao lado? Você que devia se desculpar, por deixar que as pessoas vivam em um lugar assim. Ha, isso foi ideia de Deus, dá menos pra trabalho pra gente, menos gente aqui, menos gente lá, a gente roda umas personalidades de vez em quando.
Eu Mereço uma suíte nesse lugar pra poder passar a eternidade sem me desculpar. Ele sorriu, falou que eu podia ficar o tempo que quisesse,, acesso ao plano de saúde do próprio capeta, uma eternidade vazia, sem muito o que fazer. Deixou claro que quando estava de mau humor ligava o som do inferno no talo com um grave estourado e que eu ia me arrepender de não levar isso como um castigo severo. Olhei pra ele e falei que perto da terra aquilo era o paraíso, ele abriu um sorriso completo, perto do paraíso de todos os arrependidos aqui também não é nada mal, escute o som que quiser ninguém vai falar nada, com tanto que use os fones, todos tem seus quartos, ninguém dorme ao relento, a alimentação é sem graça, mas quando estou de bom humor eu mesmo cozinho algo especial, o clima é meio quente, deus ficou de arrumar o ar condicionado, aquele cara, ficou de fazer tanta coisa! Por hora é isso. Tenha uma estadia boa, é sempre um prazer revê-lo quando quiser voltar pra terra, de um toque, gostei de ti, te encaixo em qualquer tempo, você não lembra mas da última vez ficou uma cara aqui, contente em saber que uma vidinha não te mudou muito. Até a próxima, meu número já ta salvo no fone do quarto, lembre-se de usar camisinha. Agora vai logo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

cinzento.

Eu acordo e é só noticia triste, sangue nos jornais e fome pro nosso povo. Os governantes enriquecendo e a gente de mãos atadas. A obra ao lado não me deixa dormir, marteladas, picaretas e o cinza cada vez mais alto. Em dias assim a gente não se sente confortável, todos os dias são assim se não tem pra onde correr. La no fundo, de algum local escuto um baixo sorriso, a esperança de que alguma alegria existe na cidade, como é duro se agarrar nisso em dias sem abraços. Penso que bom seria se fosse sempre primavera, se sua flor estivesse sempre em meu quintal, se o mundo fosse enfim um lugar realmente ideal. Pois ja que não é, esperança é o que há, de um humor melhor pra nós em dias que a gente nem sabe se virão. Espero não deixar pra depois, ainda assim estou parado.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Incoerente

Como sempre incoerente, consumindo toda a paranoia social e tentando de alguma maneira ser feliz. Sempre preso as convenções e vícios, deixando pouco e fazendo menos ainda. A vontade se transforma em preguiça em duas palavras. O Riso que disfarça a tristeza de não ser o que se quer. Só outro produto deste mundo infeliz, tudo é desigual. Trago atrás de trago, cigarro atrás de cigarro, tentando descobrir um propósito universal, fazer parte deste flow com mais naturalidade, sempre mentindo e fingindo não ver que tudo é errado. Os beijos e abraços são o único alento, corpos sem roupas no nascer do sol, breve alegria sincera e ainda incerta.
Ainda espero encontrar razão, desprender-me desta rede de escolhas estranhas, desisto de ser um erro. Desisto.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Lágrima.

A gota que escorre pela face da moça
em uma noite fria e inebriante,
na solidão quase aconchegante do destino
vem espontânea e carrega tanto motivo.
Solitária, como ela, como todos.
Que tem no escuro o refúgio do mundo
dos carros, das filas dos sóbrios.
Adentra na pele muito antes de voar
tem medo pois nunca quis incomodar.
Esvaí então algum desejo intímo,
a esperança remota de um contato maior
despertar pra realidade além dessa
enfim entender que nunca se esta só.
É a primeira de tantas que ainda virão
entre os gemidos baixos desilusórios da jovem
que perde o sono por uma história qualquer.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Desequilíbrio

Equilíbrio perdido, danço na linha da emoção, deslizo do topo da alegria pro fundo da tristeza,  Uma dose, doce com seu beijo perdido em meio a trincheiras de nossa guerra, um tratado de paz morto antes de nascer, pelo orgulho, pela violência das noites. Ainda assim sempre saio tarde, esperando encontrar seu semblante sozinho em algum boteco sujo, dama da loucura, como queria poder ser todo seu, mas esta corrida de bar em bar eu já perdi, muito antes de tu começar. Ainda assim, dobro as apostas, rolo pelo chão, vomito em meio a fumaça e acabo pior do que quando começou. Você sorri com um qualquer, depois me convida prum canto escuro, as vozes se unem em gemidos foscos e uma pequena brasa se ascende nos corpos caídos. Como quando jovens fodemos na noite e acordamos a cara da derrota. O café amargo, a despedida, por um momento desejamos esquecer.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Quem sabe como seria?

Acordar ao seu lado e sentir sua respiração calma,
ter as noites mais curtas e os dias menos sonolentos
sonhar e buscar algo além destes mesmos dias
caminharmos juntos e pintarmos o nosso paraíso.

Ou o inferno nos tocaria como sempre
e teríamos no ódio o único motivo de continuar
na transa raivosa acumularíamos desafetos
e definharíamos em noites escaldantes de rancor.

Provável que eu não vá mudar por ti,
nem correr aos prantos atrás de você
mas sonho com seus toques macios
e com tudo que nunca virá a ser.