segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Revivendo

Devagar, vou voltando ao que sou,
A imagem torta da qualidade maldita
o sabor incompleto que busca o nada.
Encontro os caminhos, velhos amigos,
avante aos muquifos de sempre.
Onde o sonho é gritado como poesia
e se ri, como é bom dar risada de tudo.
Devagar eu vou voltar pro velho caminho
do erro à toa, dos amores podres,
vinhos baratos e obrigações sempre adiadas,
sou sempre esse gosto pelo o que mata,
dilacero meu ser para o extremo.
Devagar, ainda não é hora de voltar.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sempre vai haver decepções
em meio a insignificância
que somos no universo.
Ainda assim nos preocupamos
e cobramos a todos os lados.
Para os outros o que não queremos.
E queimamos, apertamos, matamos
procuramos corpos mais quentes
dores mais fortes, ilusões mais loucas.
Encontramos delírios e nos deleitamos,
deitamos com a loucura e despedaçamos.
Pra acordar cedo e fingir amor.
Depois não sobra nada nem ninguém.
Ainda assim em algum abrigo quente
esboça um sorriso torto no copo de cerveja.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A morte do tempo!

Vejo a barreira, uma parede tão alta quanto qualquer outra. Infernalmente em todos os caminhos, o mundo segue parado. O tempo morreu e nem avisou, vivemos esse momento repetidamente, este mesmo texto, o quadro incompleto, este encontro, eu e vocês. Amigos, desconhecidos, irmãos, cúmplices únicos da derrocada. Da morte daquele que sempre detestamos. Agora não mais velhos, nem mais novos. Empatados em uma existência qualquer. Poderia ser plena mas é presa.  Quantas outras vezes já estivemos aqui? Será este meu ensaio definitivo? Frustrante e inacabado, a morte que vem em vida pra te dizer que nunca a encontrará. Ainda sim a mão se move, as nuvens não. Será pra sempre este dia gelado, de sol e nuvens estáticas. Nosso encontro se repete, sem nenhuma ruga nova, minha mão não para, as palavras não se importam com o tempo. Criações nossas que são tão diferentes de nós. Continuo estático, vocês também.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

eu te escrevi em cem versos ou mais
deitei em seus braços por tantas vezes,
toquei tuas canções em sonhos belos
e na neblina do amanhecer lhe perdi.
Como uma sombra distante que se apaga
deixa seus rastros em todos os meus passos,
e te vejo em todas as esquinas e rostos,
quero sentir novamente o seu gosto,
deslizar no seu corpo, sentir o nosso abrigo
reconstruído, sobre ruínas vivas do coração
um templo bonito, paraíso sem ilusão,
deixo pro além todas as cobranças que fiz
por acumulo de inseguranças e insensatez.
Um beijo suave, quero tudo outra vez.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Fraquezas.

Minhas palavras são pobres
fogem dos meus sentimentos
que também não são bonitos
e vão aos poucos se desfazendo,

um dia, parece tão longe,
os sonhos estavam perto,
a moça caminhava ao lado
e o mundo pareceu ser certo.

Queria ser como Bandeira
em seus versos sangrando
e jogar fora tudo o que amo.

Mas sou fraco
e guardo no fundo do peito
um grito que te ama.

Não sei direito das coisas
achei a solução em sua boca
me desculpe, não resisto
a destroçar vidas insisto,

Como uma bomba que se fragmenta
explodo em todos os desalentos
espalho tristeza e desengano
mesmo querendo alegria e novos planos. 

Meu nós são cegos e o mundo não perdoa 
então me deixa no canto 
quem sabe um dia
eu levanto.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

desespero

Eu sumi faz tempo
meu corpo se desfaz no vento
estou em completo lamurio
morto e podre por dentro
e fora só existe tortura,
não sou bom pra você
nem nunca fui pra ninguém,
Sou um inferno em pessoa
que arrasta tudo pro fogo
do desespero e do desdem.
E ai não sobra nada
além das mentiras que contei
pra me agarrar em delírios
que criei em você.
Desculpe meu bem,
sou agora só o resto do pó
de uma noite triste e sem gosto.

sábado, 26 de agosto de 2017

Eu e o Diabo

Estava no inferno, literalmente, na minha frente sentava um homem, elegante, vestido inteiro de preto e com um sapato vermelho, usava um terno bonito, de alguma maneira eu sabia que era o Diabo em pessoa, finalmente havia acabado a existência na terra, ele me olhava com aura sinistra e um sorriso de canto de boca, falou que ganhei um julgamento especial, falo que eu tinha uma chance de me desculpar. Me desculpar por que? Pelas injustiças do mundo que devem prover dá mal capacidade administrativa de Deus? Pelos erros que cometi e passei a vida inteira remoendo nos sonhos mórbidos. Pelos amores que enterrei por não saber de nada direito? Pela miséria logo ao lado? Você que devia se desculpar, por deixar que as pessoas vivam em um lugar assim. Ha, isso foi ideia de Deus, dá menos pra trabalho pra gente, menos gente aqui, menos gente lá, a gente roda umas personalidades de vez em quando.
Eu Mereço uma suíte nesse lugar pra poder passar a eternidade sem me desculpar. Ele sorriu, falou que eu podia ficar o tempo que quisesse,, acesso ao plano de saúde do próprio capeta, uma eternidade vazia, sem muito o que fazer. Deixou claro que quando estava de mau humor ligava o som do inferno no talo com um grave estourado e que eu ia me arrepender de não levar isso como um castigo severo. Olhei pra ele e falei que perto da terra aquilo era o paraíso, ele abriu um sorriso completo, perto do paraíso de todos os arrependidos aqui também não é nada mal, escute o som que quiser ninguém vai falar nada, com tanto que use os fones, todos tem seus quartos, ninguém dorme ao relento, a alimentação é sem graça, mas quando estou de bom humor eu mesmo cozinho algo especial, o clima é meio quente, deus ficou de arrumar o ar condicionado, aquele cara, ficou de fazer tanta coisa! Por hora é isso. Tenha uma estadia boa, é sempre um prazer revê-lo quando quiser voltar pra terra, de um toque, gostei de ti, te encaixo em qualquer tempo, você não lembra mas da última vez ficou uma cara aqui, contente em saber que uma vidinha não te mudou muito. Até a próxima, meu número já ta salvo no fone do quarto, lembre-se de usar camisinha. Agora vai logo.