terça-feira, 14 de agosto de 2018

Sussurros no escuro


vozes de outros tempos
esquecidas e perdidas.
te incomoda um pouco
mas não chegam a sufocar.
São amores de outras vidas
Não podem ajudar.
São como tudo agora
retalhos mortos de outrora
e não podem ajudar.
Pois são como agora
um momento e depois chora
o barco esta afundado
Não escuto mais nada
mas também nunca ajudaram
sempre foram apenas
sussurros, espalhados
no escuro.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Revivendo

Devagar, vou voltando ao que sou,
A imagem torta da qualidade maldita
o sabor incompleto que busca o nada.
Encontro os caminhos, velhos amigos,
avante aos muquifos de sempre.
Onde o sonho é gritado como poesia
e se ri, como é bom dar risada de tudo.
Devagar eu vou voltar pro velho caminho
do erro à toa, dos amores podres,
vinhos baratos e obrigações sempre adiadas,
sou sempre esse gosto pelo o que mata,
dilacero meu ser para o extremo.
Devagar, ainda não é hora de voltar.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sempre vai haver decepções
em meio a insignificância
que somos no universo.
Ainda assim nos preocupamos
e cobramos a todos os lados.
Para os outros o que não queremos.
E queimamos, apertamos, matamos
procuramos corpos mais quentes
dores mais fortes, ilusões mais loucas.
Encontramos delírios e nos deleitamos,
deitamos com a loucura e despedaçamos.
Pra acordar cedo e fingir amor.
Depois não sobra nada nem ninguém.
Ainda assim em algum abrigo quente
esboça um sorriso torto no copo de cerveja.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A morte do tempo!

Vejo a barreira, uma parede tão alta quanto qualquer outra. Infernalmente em todos os caminhos, o mundo segue parado. O tempo morreu e nem avisou, vivemos esse momento repetidamente, este mesmo texto, o quadro incompleto, este encontro, eu e vocês. Amigos, desconhecidos, irmãos, cúmplices únicos da derrocada. Da morte daquele que sempre detestamos. Agora não mais velhos, nem mais novos. Empatados em uma existência qualquer. Poderia ser plena mas é presa.  Quantas outras vezes já estivemos aqui? Será este meu ensaio definitivo? Frustrante e inacabado, a morte que vem em vida pra te dizer que nunca a encontrará. Ainda sim a mão se move, as nuvens não. Será pra sempre este dia gelado, de sol e nuvens estáticas. Nosso encontro se repete, sem nenhuma ruga nova, minha mão não para, as palavras não se importam com o tempo. Criações nossas que são tão diferentes de nós. Continuo estático, vocês também.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

eu te escrevi em cem versos ou mais
deitei em seus braços por tantas vezes,
toquei tuas canções em sonhos belos
e na neblina do amanhecer lhe perdi.
Como uma sombra distante que se apaga
deixa seus rastros em todos os meus passos,
e te vejo em todas as esquinas e rostos,
quero sentir novamente o seu gosto,
deslizar no seu corpo, sentir o nosso abrigo
reconstruído, sobre ruínas vivas do coração
um templo bonito, paraíso sem ilusão,
deixo pro além todas as cobranças que fiz
por acumulo de inseguranças e insensatez.
Um beijo suave, quero tudo outra vez.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Fraquezas.

Minhas palavras são pobres
fogem dos meus sentimentos
que também não são bonitos
e vão aos poucos se desfazendo,

um dia, parece tão longe,
os sonhos estavam perto,
a moça caminhava ao lado
e o mundo pareceu ser certo.

Queria ser como Bandeira
em seus versos sangrando
e jogar fora tudo o que amo.

Mas sou fraco
e guardo no fundo do peito
um grito que te ama.

Não sei direito das coisas
achei a solução em sua boca
me desculpe, não resisto
a destroçar vidas insisto,

Como uma bomba que se fragmenta
explodo em todos os desalentos
espalho tristeza e desengano
mesmo querendo alegria e novos planos. 

Meu nós são cegos e o mundo não perdoa 
então me deixa no canto 
quem sabe um dia
eu levanto.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

desespero

Eu sumi faz tempo
meu corpo se desfaz no vento
estou em completo lamurio
morto e podre por dentro
e fora só existe tortura,
não sou bom pra você
nem nunca fui pra ninguém,
Sou um inferno em pessoa
que arrasta tudo pro fogo
do desespero e do desdem.
E ai não sobra nada
além das mentiras que contei
pra me agarrar em delírios
que criei em você.
Desculpe meu bem,
sou agora só o resto do pó
de uma noite triste e sem gosto.