Como sempre incoerente, consumindo toda a paranoia social e tentando de alguma maneira ser feliz. Sempre preso as convenções e vícios, deixando pouco e fazendo menos ainda. A vontade se transforma em preguiça em duas palavras. O Riso que disfarça a tristeza de não ser o que se quer. Só outro produto deste mundo infeliz, tudo é desigual. Trago atrás de trago, cigarro atrás de cigarro, tentando descobrir um propósito universal, fazer parte deste flow com mais naturalidade, sempre mentindo e fingindo não ver que tudo é errado. Os beijos e abraços são o único alento, corpos sem roupas no nascer do sol, breve alegria sincera e ainda incerta.
Ainda espero encontrar razão, desprender-me desta rede de escolhas estranhas, desisto de ser um erro. Desisto.
sábado, 7 de janeiro de 2017
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Lágrima.
A gota que escorre pela face da moça
em uma noite fria e inebriante,
na solidão quase aconchegante do destino
vem espontânea e carrega tanto motivo.
Solitária, como ela, como todos.
Que tem no escuro o refúgio do mundo
dos carros, das filas dos sóbrios.
Adentra na pele muito antes de voar
tem medo pois nunca quis incomodar.
Esvaí então algum desejo intímo,
a esperança remota de um contato maior
despertar pra realidade além dessa
enfim entender que nunca se esta só.
É a primeira de tantas que ainda virão
entre os gemidos baixos desilusórios da jovem
que perde o sono por uma história qualquer.
em uma noite fria e inebriante,
na solidão quase aconchegante do destino
vem espontânea e carrega tanto motivo.
Solitária, como ela, como todos.
Que tem no escuro o refúgio do mundo
dos carros, das filas dos sóbrios.
Adentra na pele muito antes de voar
tem medo pois nunca quis incomodar.
Esvaí então algum desejo intímo,
a esperança remota de um contato maior
despertar pra realidade além dessa
enfim entender que nunca se esta só.
É a primeira de tantas que ainda virão
entre os gemidos baixos desilusórios da jovem
que perde o sono por uma história qualquer.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Desequilíbrio
Equilíbrio perdido, danço na linha da emoção, deslizo do topo da alegria pro fundo da tristeza, Uma dose, doce com seu beijo perdido em meio a trincheiras de nossa guerra, um tratado de paz morto antes de nascer, pelo orgulho, pela violência das noites. Ainda assim sempre saio tarde, esperando encontrar seu semblante sozinho em algum boteco sujo, dama da loucura, como queria poder ser todo seu, mas esta corrida de bar em bar eu já perdi, muito antes de tu começar. Ainda assim, dobro as apostas, rolo pelo chão, vomito em meio a fumaça e acabo pior do que quando começou. Você sorri com um qualquer, depois me convida prum canto escuro, as vozes se unem em gemidos foscos e uma pequena brasa se ascende nos corpos caídos. Como quando jovens fodemos na noite e acordamos a cara da derrota. O café amargo, a despedida, por um momento desejamos esquecer.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Quem sabe como seria?
Acordar ao seu lado e sentir sua respiração calma,
ter as noites mais curtas e os dias menos sonolentos
sonhar e buscar algo além destes mesmos dias
caminharmos juntos e pintarmos o nosso paraíso.
Ou o inferno nos tocaria como sempre
e teríamos no ódio o único motivo de continuar
na transa raivosa acumularíamos desafetos
e definharíamos em noites escaldantes de rancor.
Provável que eu não vá mudar por ti,
nem correr aos prantos atrás de você
mas sonho com seus toques macios
e com tudo que nunca virá a ser.
Acordar ao seu lado e sentir sua respiração calma,
ter as noites mais curtas e os dias menos sonolentos
sonhar e buscar algo além destes mesmos dias
caminharmos juntos e pintarmos o nosso paraíso.
Ou o inferno nos tocaria como sempre
e teríamos no ódio o único motivo de continuar
na transa raivosa acumularíamos desafetos
e definharíamos em noites escaldantes de rancor.
Provável que eu não vá mudar por ti,
nem correr aos prantos atrás de você
mas sonho com seus toques macios
e com tudo que nunca virá a ser.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Sobre manhãs e calçadas.
O sol me acerta com seus raios em uma manhã embriagada e arrastada. A calçada estrábica dessa cidade incerta me da ânsia. Dou passos calmos e imprecisos, busco seu sonho em meu interno. Escrevo com as nuvens que se formam histórias mais belas, antes que a tempestade nos afogue em um mar de bitucas. Escuto tantos males, infernos que queimam em todos, levianos pensamentos universais que grudam como cola em meus sapatos, pelo menos preso não há riscos de torcer o pé. Creio que nesta cidade melhor seria nascer aranha, cheio de olhos e com oito patas para equilibrar. As paredes pichadas são mais retas. Duro seria fugir das chineladas. talvez seja sorte mesmo ficar colado. Os riscos de morte estão cada vez mais altos, é bala perdida, pinha caída e tropeço na esquina. Um som toca em algum lugar, um chiado moderno chamado música por algum entendidinho. Nada muda, longe ou perto, somos sempre os mesmos, imperfeitos e bonitos em toda incerteza.
Eric Laffitte Gaidus
Eric Laffitte Gaidus
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Dos passeios no passeio.
Ouvindo a prosa pública nesse passeio pobre, sentindo o sol gelado penetrar minha alma em meio a jaulas e gritos desesperados enrijece até as últimas extremidades do meu corpo. O senhor em seus trapos e cartas marcadas, afirma saber o que ninguém sabe, balbucia aos ares coisas inacreditáveis, é taxado por louco e levado de ambulância pra um hospital de loucura. Outro vendo que seu destino podia ser o mesmo se cala, deixa guardado o que poderia nos salvar! Quem sabe com um pouco de sorte a gente não precise ser salvo. Aí serei eu seu novo amor, carregado morto pelas ondas magnéticas de seu ciume atroz, impedido de sorrir pela facada precoce que atravessa-me as palavras e me deixa sem voz. Creio que tenha me perdido, em algum ponto foquei em meus devaneios, este nunca foi meu objetivo, peço desculpas por me estender nas inutilidades interiores, essa mesquinhez de acreditar que tenho tudo em mim já me causou diversos problemas. Mas voltando ao passeio, suas aves esquálidas presenciam o beijo voraz de quem foge de uma aula chata para amar. Fecho e abro as mãos, não posso me deixar endurecer, que triste seria virar uma estátua neste lugar. Minhas pernas enfim respondem, chego ao círculo, mas aí já é outra história.
Eric Laffitte Gaidus
Eric Laffitte Gaidus
sábado, 27 de junho de 2015
Extinto.
Acordou por outro dia, sabia que devia persistir, que devia lutar, que quem sabe exista alguém de mesma espécie e descobrisse que não estava sozinho. Os predadores bípedes tinham dominado tudo, pareciam estar em todos os lugares, o verde estava cada vez menos presente, mesmo suas presas pareciam estar condenadas. Lembrava das histórias de seu avô, que ele dizia ser passada há muitos anos, de que nem sempre aquele bípedes desalmados dominaram o mundo que conhecemos, antes disso, felinos, parentes distantes caçavam e eram considerados os donos do mundo. Por questão de ciclos e nobreza deixaram que os primeiros seres frágeis a andar sobre duas patas continuassem a viver. O coração grande de uns levou esse mundo a ruína dizia o velho. Agora já tem tempos que o senhor tinha partido, caçadores com seus tubos que disparam luzes o atingiram. Seguia sempre que possível para o leste, tentando encontrar alguma fêmea, mas no fundo sentia que era o último. Em algum daqueles dias ele teria de se entregar, ou aos predadores ou ao tempo. De fato já não era jovem, bem pelo contrario, ainda possuía agilidade, mas aquilo não ia durar muito, o tempo passa muito rápido. O último dos seus, magro, caminhou sozinho por uma zona árida, sentiu sede e não encontrou água, lembra que quando jovem passou por aqueles lugares e haviam arvores, como tudo pode mudar desta maneira. A respiração acelerada durou pouco, a boca seca, se entregou, deixou que o deus gato o levasse para longe deste mundo decaído.
Eric Laffitte Gaidus
Eric Laffitte Gaidus
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